
Fêmeas que mais parecem machos
Agosto, 2014
Que já havia no mundo animal fêmeas bem mais proactivas que os machos e capazes até de os colocar em segundo plano, era sabido. Mas fêmeas com órgãos equivalentes ao pénis e que penetram uma espécie de vagina nos machos, tudo indica ser uma novidade... É o que acontece em várias espécies de Neotrogla, psocopteros aparentados com os conhecidos piolhos-dos-livros ou piolhos-da-palha, insectos geralmente sem asas e que não ultrapassam 0,6 cm do comprimento. Neste caso, os insectos, que vivem em grutas brasileiras, ainda mais pequenos e com asas, envolvem-se num acasalamento, que pode durar vários dias, em que as fêmeas utilizam um órgão espinhoso colector (ginossoma) que encaixam no orifício genital dos machos até que estes resolvam emitir uma cápsula seminal. Rodrigo Ferreira (Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais), o primeiro a descobrir estas espécies, Kazunori Yoshizawa (Universidade de Hokkaido, Japão) e outros colegas, acham que essa cápsula, para além dos espermatozóides, possui nutrientes capazes de alimentar a fêmea durante a produção dos ovos, uma mais valia num ambiente pouco rico em alimentos para além do guano de morcegos.
Foto: Yoshizawa, K. et al. (2014), "Female Penis, Male Vagina, and Their Correlated Evolution in a Cave Insect". Curr. Biol., 24(9): 1006-1010.

Tal pai, diferente filho
Junho, 2014
Muitas espécies de peixes marinhos que vivem a grande profundidade produzem ovos que sobem até perto da superfície e aí dão origem às fases larvares. Algumas vezes, a relação desses juvenis com os seus progenitores permanece uma incógnita durante muito tempo, até porque a sua morfologia pode ser bastante diferenciada. Há alguns anos atrás, um investigador publicou a foto de uma estranha larva com cerca de 1,4 cms de comprimento e armada de 7 longos espinhos dorsais, capturada no estreito entre a Florida e Cuba. David Johnson, zoólogo do Smithsonian National Museum of Natural History (EUA) conseguiu obter uma sequência genética do DNA da larva, que revelou tratar-se de uma espécie desconhecida até então. Entretanto, uma outra equipa de cientistas da mesma instituição iniciou um estudo de peixes que habitam recifes profundos do Mar das Caraíbas, descrevendo nomeadamente alguns peixes adultos da família das garoupas (Serranidae). Ao analisar o DNA de um desses peixes, que pouco ultrapassa 10 cms de comprimento, a equipa verificou a exacta coincidência da respectiva sequência genética com a da larva atrás referida. A nova espécie foi então baptizada como garoupa-dourada-de-manchas-amarelas (Liopropoma olneyi), um nome pouco original tendo em conta a história da sua descoberta.
Fotomontagem: www.practicalfishkeeping.co.uk

Criado maior Parque Natural do mundo
Maio 2014
A maior área protegida do planeta acaba de ser criada em torno da Nova Caledónia, um território sob administração francesa situado a leste da Austrália. O Parque Natural do Mar de Coral (Parc Naturel de la Mer de Corail) estende-se por 1,3 milhões de km2, mais de duas vezes o tamanho da Península Ibérica, abarcando extensas zonas oceânicas e inúmeras ilhas e recifes, incluindo a segunda maior barreira de coral do mundo. Como medida da extraordinária biodiversidade desta região, pode referir-se que aqui vivem 48 espécies de tubarões, 25 espécies de mamíferos marinhos, 19 espécies de aves marinhas nidificantes e 5 espécies de tartarugas marinhas. Resta saber que meios serão efectivamente disponibilizados para proteger e gerir de forma sustentável o novo parque, tendo em conta que na Nova Caledónia vivem umas 250 mil pessoas.
Foto: www.aires-marines.fr

Reabilitação do dingo
Abril 2014
Cães e lobos são geneticamente muito próximos, ambos pertencendo à mesma espécie (Canis lupus). Por seu lado, introduzido na Austrália em tempos pré-históricos por povos provenientes do sudeste asiático, o dingo foi até agora considerado apenas como uma outra variedade dessa multifacetada espécie (Canis lupus dingo). Porém, Mathew Crowther da Universidade de Sydney, juntamente com outros colegas, acaba de apresentar provas de que o dingo poderá realmente ser uma espécie diferente, recuperando o nome científico original, Canis dingo, velho de mais de duzentos anos. As principais diferenças para cães e lobos dizem respeito ao maior comprimento do focinho e a uma menor altura do crânio para além de significativas características genéticas, isto pelo menos no que diz respeito aos animais que viveram na Austrália antes do início da hibridação generalizada com o cão-doméstico. Esta circunstância dificulta bastante a avaliação acerca da maior ou menor prevalência de verdadeiros dingos na actualidade, algo de muito semelhante com o que sucede com gatos-domésticos e gatos-selvagens nalgumas zonas da região mediterrânica, para além de pôr em causa o conceito tradicional de espécie como entidade reprodutivamente isolada.
Foto: Henry Whitehead (Creative Commons).

Recordista de velocidade
Abril 2014
Um estudo efectuado por biólogos americanos e apresentado no encontro Experimental Biology 2014 em San Diego (EUA), revelou o mais recente recordista animal de velocidade. Paratarsotomus macropalpis, um modesto ácaro, mais pequeno que uma semente de sésamo e que vive no sul da Califórnia, é capaz de percorrer 322 vezes o comprimento do seu corpo num único segundo! O anterior recordista era um escaravelho australiano com a marca de 171 comprimentos/s. Como comparação, a chita, considerado o mamífero mais rápido do planeta, percorre, no máximo, 16 comprimentos/s, e o ser humano, para ser tão rápido como o ácaro californiano, teria de ultrapassar os 2.000 km/h...
Foto: YouTube.

Umas poucas árvores dominam Amazónia
Março 2014
Uma equipa internacional de biólogos efectuou o primeiro grande inventário das árvores da floresta amazónica. Para sua grande surpresa, esta área, dez vezes mais extensa que a Península Ibérica (6 milhões de km2), será constituída "apenas" por cerca de 16 mil espécies, das quais 11 mil são consideradas raras ou nem sequer se encontram descritas e nomeadas pela ciência, arriscando-se a desaparecer sem que o saibamos. Das 5 mil espécies restantes, 227 ocuparão 50% de toda esta gigantesca massa florestal, possivelmente em resultado de plantações efectuadas, desde tempos imemoriais, pelas próprias populações indígenas. Entre estas espécies dominantes e mais comuns estão o guanandi (Symphonia globulifera), o açaí (Euterpe oleracea) e o buriti (Mauritia flexuosa).
Foto: Buriti - Frank Krämer (Wikimedia Commons).

Plantas com flor tão antigas como os dinossauros
Março 2014
Trabalhos de sondagem a mais de 900 metros de profundidade no norte da Suiça, revelaram a presença de grãos de pólen originários do Triássico, há mais de 245 milhões de anos atrás. Segundo Peter Hochuli e Susanne Feist-Burkhardt (Universidade de Zurique), esses pólens são os mais antigos até hoje encontrados, fazendo recuar cem milhões de anos a data, até agora, admitida para o aparecimento das plantas com flor, as quais se pensava terem surgido só no Cretácico, há cerca de 140 milhões de anos.
Foto: Hochuli, P.A & Feist-Burkhardt, S. Frontiers in Plant Science, 2013.

Recordistas dos ares
Março 2014
O seguimento através de minúsculos implantes electrónicos de alguns andorinhões-de-ventre-branco (Tachymarptis melba), efectuado por ornitólogos suiços, veio comprovar que, durante as suas migrações entre a África subsahariana e a Europa, estas aves são capazes de viajar até 200 dias praticamente sem repousarem. Tudo indica assim que capturam o alimento e dormem em pleno voo.
Foto: Pau Artigas (Creative Commons).
