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Biodiversidade a Seus Pés

O Projeto “Biodiversidade a Seus Pés”, resultou da aprovação de uma candidatura feita ao Programa da Rede Rural Nacional, inserindo-se na área de intervenção "Capitalização da Experiência e do Conhecimento". A operação enquadra-se na temática da  Biodiversidade e foi ao encontro dos objetivos inerentes ao Ano Internacional da Biodiversidade (2010). Apresenta também uma forte componente de disseminação da informação, assentando nas boas práticas agrícolas e bons exemplos de gestão e cooperação entre os valores naturais e as populações, requisitos chave para o sucesso do PRRN.

Objetivos

  • Proporcionar uma ferramenta informativa de apoio aos agentes locais, instituições públicas, associações, escolas e público em geral, com informação variada sobre a Biodiversidade do Mundo Rural Algarvio, para apoiar atividades educacionais, serviços de animação turística, entre outros;
  • Enriquecer a oferta turística da região, especialmente das zonas rurais e florestais, ao nível do Ecoturismo;
  • Contribuir para a dinamização do Ecoturismo no Algarve, fomentando parcerias com outrosprojetos em execução na região;
  • Divulgar o património natural e rural da região e reforçar a sua mais-valia económica enquanto atracão turística e motivo de visitação da região.

O que é este projeto?

    Esta iniciativa é composta por duas componentes principais, a disponibilização de uma base de dados com informação das espécies que ocorrem no Algarve (incluindo a sua distribuição no Algarve) e na promoção e a divulgação de cinco locais representativos da região – Hotspots – que por sua vez aliam as boas práticas agrícolas e florestais à biodiversidade.

O projeto teve início a 5 de dezembro de 2011 e até ao momento, no âmbito deste projeto, foram produzidos vários materiais disponibilizados neste portal:

Biosfera

 

Neotrogla

Fêmeas que mais parecem machos

Agosto, 2014

Que já havia no mundo animal fêmeas bem mais proactivas que os machos e capazes até de os colocar em segundo plano, era sabido. Mas fêmeas com órgãos equivalentes ao pénis e que penetram uma espécie de vagina nos machos, tudo indica ser uma novidade... É o que acontece em várias espécies de Neotrogla, psocopteros aparentados com os conhecidos piolhos-dos-livros ou piolhos-da-palha, insectos geralmente sem asas e que não ultrapassam 0,6 cm do comprimento. Neste caso, os insectos, que vivem em grutas brasileiras, ainda mais pequenos e com asas, envolvem-se num acasalamento, que pode durar vários dias, em que as fêmeas utilizam um órgão espinhoso colector (ginossoma) que encaixam no orifício genital dos machos até que estes resolvam emitir uma cápsula seminal. Rodrigo Ferreira (Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais), o primeiro a descobrir estas espécies, Kazunori Yoshizawa (Universidade de Hokkaido, Japão) e outros colegas, acham que essa cápsula, para além dos espermatozóides, possui nutrientes capazes de alimentar a fêmea durante a produção dos ovos, uma mais valia num ambiente pouco rico em alimentos para além do guano de morcegos.

Foto: Yoshizawa, K. et al. (2014), "Female Penis, Male Vagina, and Their Correlated Evolution in a Cave Insect". Curr. Biol., 24(9): 1006-1010.

 

Garoupa








Tal pai, diferente filho

Junho, 2014

Muitas espécies de peixes marinhos que vivem a grande profundidade produzem ovos que sobem até perto da superfície e aí dão origem às fases larvares. Algumas vezes, a relação desses juvenis  com os seus progenitores permanece uma incógnita durante muito tempo, até porque a sua morfologia pode ser bastante diferenciada.  Há alguns anos atrás, um investigador publicou a foto de uma estranha larva com cerca de 1,4 cms de comprimento e armada de 7 longos espinhos dorsais, capturada no estreito entre a Florida e Cuba. David Johnson, zoólogo do Smithsonian National Museum of Natural History (EUA) conseguiu obter uma sequência genética do DNA da larva, que revelou tratar-se de uma espécie desconhecida até então. Entretanto, uma outra equipa de cientistas da mesma instituição iniciou um estudo de peixes que habitam recifes profundos do Mar das Caraíbas, descrevendo nomeadamente alguns peixes adultos da família das garoupas (Serranidae). Ao analisar o DNA de um desses peixes, que pouco ultrapassa 10 cms de comprimento, a equipa verificou a exacta coincidência da respectiva sequência genética com a da larva atrás referida. A nova espécie foi então baptizada como garoupa-dourada-de-manchas-amarelas (Liopropoma olneyi), um nome pouco original tendo em conta a história da sua descoberta.

Fotomontagem: www.practicalfishkeeping.co.uk


NovaCaledonia









Criado maior Parque Natural do mundo

Maio 2014

A maior área protegida do planeta acaba de ser criada em torno da Nova Caledónia, um território sob administração francesa situado a leste da Austrália. O Parque Natural do Mar de Coral (Parc Naturel de la Mer de Corail) estende-se por 1,3 milhões de km2, mais de duas vezes o tamanho da Península Ibérica, abarcando extensas zonas oceânicas e inúmeras ilhas e recifes, incluindo a segunda maior barreira de coral do mundo. Como medida da extraordinária biodiversidade desta região, pode referir-se que aqui vivem 48 espécies de tubarões, 25 espécies de mamíferos marinhos, 19 espécies de aves marinhas nidificantes e 5 espécies de tartarugas marinhas. Resta saber que meios serão efectivamente disponibilizados para proteger e gerir de forma sustentável o novo parque, tendo em conta que na Nova Caledónia vivem umas 250 mil pessoas.

Foto: www.aires-marines.fr

 

Dingo







 


Reabilitação do dingo

Abril 2014

Cães e lobos são geneticamente muito próximos, ambos pertencendo à mesma espécie (Canis lupus). Por seu lado, introduzido na Austrália em tempos pré-históricos por povos provenientes do sudeste asiático, o dingo foi até agora considerado apenas como uma outra variedade dessa multifacetada espécie (Canis lupus dingo). Porém, Mathew Crowther da Universidade de Sydney, juntamente com outros colegas, acaba de apresentar provas de que o dingo poderá realmente ser uma espécie diferente, recuperando o nome científico original, Canis dingo, velho de mais de duzentos anos. As principais diferenças para cães e lobos dizem respeito ao maior comprimento do focinho e a uma menor altura do crânio para além de significativas características genéticas, isto pelo menos no que diz respeito aos animais que viveram na Austrália antes do início da hibridação generalizada com o cão-doméstico. Esta circunstância dificulta bastante a avaliação acerca da maior ou menor prevalência de verdadeiros dingos na actualidade, algo de muito semelhante com o que sucede com gatos-domésticos e gatos-selvagens nalgumas zonas da região mediterrânica, para além de pôr em causa o conceito tradicional de espécie como entidade reprodutivamente isolada.

Foto: Henry Whitehead (Creative Commons).

 

Paratarsotomus
Recordista de velocidade

Abril 2014

Um estudo efectuado por biólogos americanos e apresentado no encontro Experimental Biology 2014 em San Diego (EUA), revelou o mais recente recordista animal de velocidade. Paratarsotomus macropalpis, um modesto ácaro, mais pequeno que uma semente de sésamo e que vive no sul da Califórnia, é capaz de percorrer 322 vezes o comprimento do seu corpo num único segundo! O anterior recordista era um escaravelho australiano com a marca de 171 comprimentos/s. Como comparação, a chita, considerado o mamífero mais rápido do planeta, percorre, no máximo, 16 comprimentos/s, e o ser humano, para ser tão rápido como o ácaro californiano, teria de ultrapassar os 2.000 km/h...

Foto: YouTube.

 

Mauritia flexuosa
Umas poucas árvores dominam Amazónia

Março 2014

Uma equipa internacional de biólogos efectuou o primeiro grande inventário das árvores da floresta amazónica. Para sua grande surpresa, esta área, dez vezes mais extensa que a Península Ibérica (6 milhões de km2), será constituída "apenas" por cerca de 16 mil espécies, das quais 11 mil são consideradas raras ou nem sequer se encontram descritas e nomeadas pela ciência, arriscando-se a desaparecer sem que o saibamos. Das 5 mil espécies restantes, 227 ocuparão 50% de toda esta gigantesca massa florestal, possivelmente em resultado de plantações efectuadas, desde tempos imemoriais, pelas próprias populações indígenas.  Entre estas espécies dominantes e mais comuns estão o guanandi (Symphonia globulifera), o açaí (Euterpe oleracea) e o buriti (Mauritia flexuosa).

Foto: Buriti - Frank Krämer (Wikimedia Commons).


Pollens
Plantas com flor tão antigas como os dinossauros

Março 2014

Trabalhos de sondagem a mais de 900 metros de profundidade no norte da Suiça, revelaram a presença de grãos de pólen originários do Triássico, há mais de 245 milhões de anos atrás. Segundo Peter Hochuli e Susanne Feist-Burkhardt (Universidade de Zurique), esses pólens são os mais antigos até hoje encontrados, fazendo recuar cem milhões de anos a data, até agora, admitida para o aparecimento das plantas com flor, as quais se pensava terem surgido só no Cretácico, há cerca de 140 milhões de anos.

Foto: Hochuli, P.A & Feist-Burkhardt, S. Frontiers in Plant Science, 2013.


Tachymarptis melba
Recordistas dos ares

Março 2014

O seguimento através de minúsculos implantes electrónicos de alguns andorinhões-de-ventre-branco (Tachymarptis melba), efectuado por ornitólogos suiços, veio comprovar que, durante as suas migrações entre a África subsahariana e a Europa, estas aves são capazes de viajar até 200 dias praticamente sem repousarem. Tudo indica assim que capturam o alimento e dormem em pleno voo.

Foto: Pau Artigas (Creative Commons). 

 

Árvores Monumentais de Loulé

araucaria-louleEste projecto teve por objectivo principal inventariar e catalogar as Árvores Monumentais existentes no Concelho de Loulé, bem como definir estratégias e propostas com vista à sua preservação e valorização. Para o efeito, construíu-se uma metodologia própria baseada em trabalhos anteriores realizados em países europeus, como a Espanha e Reino-Unido, sobre Árvores Monumentais.

Foram identificadas 129 árvores, entre conjuntos e árvores isoladas, 78 das quais se consideram apresentarem características monumentais, pertencentes a 15 espécies, das quais 11 são autóctones e 4 introduzidas que ocorrem espontaneamente, e outras que foram introduzidas, por interesse florestal ornamental. Destas, 26 exemplares foram classificadas de "Notáveis" e 52 como "Monumentais".

oliveira-torDurante o trabalho de campo, o qual teve lugar entre os meses de Agosto e Dezembro de 2006, foram registadas 26 variáveis sobre as árvores inventariadas, as quais foram posteriormente sintetizadas em 5 parâmetros, que serviram depois para o processo de avaliação. Foram eles: a função ecológica, os Impactes negativos antrópicos/naturais, o estado vital, a acessibilidade e o valor histórico-cultural.

Os resultados obtidos evidenciaram a urgência de classificar ou declarar de interesse público (local ou nacional) algumas das árvores inventariadas como monumentos de âmbito local (concelhio), regional ou mesmo nacional, de acordo com as figuras de protecção legal existentes, bem como da necessidade de definir uma estratégia em torno destas árvores, bem como de outras que ainda que não tendo carácter monumental deveriam ser objecto de atenção.

 

Para saber mais: Árvores Monumentais de Loulé - Relatório Final

 


 

Top das Árvores Monumentais

  • Oliveira (Olea europaea)

Local: Tôr

Medidas:

Altura = 9 metros

Perímetro à altura do peito (P.A.P.) = 8,07 metros

Perímetro do tronco (na base) = 10 metros (valor aproximado)

Maior diâmetro da copa = 13 metros

*O exemplar de maior PAP do Algarve, e uma das mais velhas.

  • Azinheira (Quercus rotundifolia)

Local: Almarginho - Salir

Medidas:

Altura = 15,5 metros

Perímetro à altura do peito (P.A.P.) = 4,17 metros

Diâmetro médio da copa = 21,40 metros

*Um dos maiores exemplares do Algarve

  • Alfarrobeira (Ceratonia siliqua)

Local: Porto da Pedra - Boliqueime

Medidas:

P.A.P. = 7,50 metros

Altura = 7 metros

Maior diâmetro da copa = 13,10 metros

Diâmetro médio da copa = 10,57 metros

*Um dos maiores exemplares do Algarve

Biodiversidade e Conservação da Natureza

A protecção de espaços naturais, a conservação de habitats prioritários e da biodiversidade têm sido uma das preocupações centrais da Almargem ao longo dos anos.

Desenvolvemos inicialmente esforços no sentido da criação de pequenas áreas protegidas no concelho de Loulé, o que se traduziu pelo aparecimento dos Sítios Classificados da Rocha da Pena e da Fonte Benémola, neste último caso com base num estudo efectuado pela Almargem e premiado em 1988 a nível nacional.

Quando da discussão pública da lista de sítios a integrar a futura Rede Natura 2000, apresentámos diversas propostas fundamentadas, algumas das quais, felizmente, foram bem acolhidas.

Várias campanhas públicas visando a protecção de espécies e espaços naturais pouco conhecidos contaram com a colaboração e o protagonismo da Almargem, nomeadamente a defesa de pequenas zonas húmidas litorais (Lagoa dos Salgados, Caniçal de Vilamoura, Foz do Almargem) e de espécies em perigo (alcar-do-Algarve, diabelha-algarvia, carvalho-de-Monchique).

Os Anfíbios e os Morcegos Cavernícolas têm também sido alvo de iniciativas diversas, nomeadamente integradas em dias comemorativos internacionais (Save the Frogs Day, European Bat Night), para além da apresentação de propostas concretas de conservação e a sensibilização  pública para a importância destes animais.

Em termos de divulgação da biodiversidade, dezenas de folhetos e pequenas brochuras têm sido publicadas, tendo sobretudo como destino principal a população escolar da região. Neste âmbito, foi também criado o projecto Madressilva, com o objectivo inicial de editar uma revista em papel (que vai já na 18ª edição) e, posteriormente, diversos materiais com suporte digital (Almanaque da Natureza, Biodossiers, Vida Selvagem Mundial).

A candidatura a apoios institucionais permitiu à Almargem desenvolver projectos de investigação de maior dimensão como a Caracterização Biofísica do Vale da Asseca (Tavira), co-financiado pelo Programa Ciência Viva, a Monitorização da Avifauna e Vegetação da Lagoa dos Salgados (Albufeira/Silves), financiada pela empresa Águas do Algarve, ou a criação do website temático Biodiversidade a Seus Pés, financiado pelo Programa Rede Rural Nacional.

Durante vários anos, a Almargem, procurou recriar no Algarve o conceituado evento de origem francesa Fête de la Nature (Festival da Natureza), que contou com várias edições, mas foi provisoriamente descontinuado em face da falta de meios financeiros e humanos.

Posteriormente, a Almargem, em colaboração com a SPEA e o apoio do Município de Vila do Bispo, tem vindo a concentrar-se na organização do Festival de Observação de Aves de Sagres, o maior evento de birdwatching do nosso país.

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